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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
Pablo Neruda - Se cada dia cai
"Se cada dia cai,
dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.
há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência."
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
R.I.P. Manoel de Barros
"Tem mais presença em mim o que me falta."
Gostaria de tê-lo conhecido mais, mas o pouco que conheço me tocou demais.
Deixo-os com links para ler algumas obras deste poeta incrível:
POESIA COMPLETA
http://pdf.leya.com/2011/Dec/poesia_completa_hdon.pdf
O LIVRO SOBRE NADA
http://minhateca.com.br/nonedoubt/Documentos/last+books/LIVROS/Manoel+de+Barros+-+Livro+Sobre+Nada,2367523.pdf
O LIVRO DAS IGNORÃÇAS
Gostaria de tê-lo conhecido mais, mas o pouco que conheço me tocou demais.
Deixo-os com links para ler algumas obras deste poeta incrível:
POESIA COMPLETA
http://pdf.leya.com/2011/Dec/poesia_completa_hdon.pdf
O LIVRO SOBRE NADA
http://minhateca.com.br/nonedoubt/Documentos/last+books/LIVROS/Manoel+de+Barros+-+Livro+Sobre+Nada,2367523.pdf
O LIVRO DAS IGNORÃÇAS
http://comvest.uepb.edu.br/concursos/vestibulares/vest2013/Manuel_de_BarrosO_Livro_Das_Ignoracas.pdf
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Manoel de Barros - Retrato do artista quando coisa
A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.
Se quiser ler outros poemas dele, entre aqui.
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.
Se quiser ler outros poemas dele, entre aqui.
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Robert Frost – A estrada não trilhada
Num bosque, em pleno outono, a estrada bifurcou-se,
mas, sendo um só, só um caminho eu tomaria.
Assim, por longo tempo eu ali me detive,
e um deles observei até um longe declive
no qual, dobrando, desaparecia…
Porém tomei o outro, igualmente viável,
e tendo mesmo um atrativo especial,
pois mais ramos possuía e talvez mais capim,
embora, quanto a isso, o caminhar, no fim,
os tivesse marcado por igual.
E ambos, nessa manhã, jaziam recobertos
de folhas que nenhum pisar enegrecera.
O primeiro deixei, oh, para um outro dia!
E, intuindo que um caminho outro caminho gera,
duvidei se algum dia eu voltaria.
Isto eu hei de contar mais tarde, num suspiro,
nalgum tempo ou lugar desta jornada extensa:
a estrada divergiu naquele bosque – e eu
segui pela que mais ínvia me pareceu,
e foi o que fez toda a diferença.
#Tradução: Renato Suttana*
sábado, 15 de março de 2014
José Samarago - Se não tenho outra voz
...do livro 'Os Poemas Possíveis'
SE NÃO TENHO OUTRA VOZ
Se não tenho outra voz que me desdobre
Em ecos doutros sons este silêncio,
É falar, ir falando, até que sobre
A palavra escondida do que penso.
É dizê-la, quebrado, entre desvios
De flecha que a si mesma se envenena,
Ou mar alto coalhado de navios
Onde o braço afogado nos acena.
É forçar para o fundo uma raiz
Quando a pedra cabal corta caminho
É lançar para cima quanto diz
Que mais árvore é o tronco mais sozinho.
Ela dirá, palavra descoberta,
Os ditos do costume de viver:
Esta hora que aperta e desaperta,
O não ver, o não ter, o quase ser.
SE NÃO TENHO OUTRA VOZ
Se não tenho outra voz que me desdobre
Em ecos doutros sons este silêncio,
É falar, ir falando, até que sobre
A palavra escondida do que penso.
É dizê-la, quebrado, entre desvios
De flecha que a si mesma se envenena,
Ou mar alto coalhado de navios
Onde o braço afogado nos acena.
É forçar para o fundo uma raiz
Quando a pedra cabal corta caminho
É lançar para cima quanto diz
Que mais árvore é o tronco mais sozinho.
Ela dirá, palavra descoberta,
Os ditos do costume de viver:
Esta hora que aperta e desaperta,
O não ver, o não ter, o quase ser.
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